quinta-feira, 8 de maio de 2008

Estimulação na infância e o desenvolvimento cerebral - Psychopatology and the Brain - Cyntia M. Khun and Saul M. Schanberg

As interações mãe-filho são cruciais para o crescimento somático e o desenvolvimento na conduta na maioria das espécies mamíferas. No entanto existem muitas espécies nesta interação que estende do contato físico próximo e constante entre a mãe e filho. Alguns, roedores e primatas, alimentados uma vez ao dia, onde os únicos contatos com os descendentes ocorrem entre os galhos de árvores, tem significante rompimento desta interação, com grande impacto no crescimento e desenvolvimento dos mesmos. A interrupção precoce da interação comportamental entre mãe-filho (primeira infância), em várias espécies de mamíferos, subtrai uma profunda resposta psicológica comportamental nos descendentes, que implica na duração da separação e o crescimento. Inicialmente, a resposta envolve estimulação da secreção do cortisol, vocalização e agitação do comportamento, observada em várias espécies, e geralmente podem ser seguidas por inúmeras adaptações como retardo no comportamento, diminuição do crescimento, secreção hormonal e índices bioquímicos avaliadores do crescimento, modificam a função cardiovascular, sono e termo-regulação (1-8). A separação, quando repetida ou prolongada, tem conseqüências mais severas e podem resultar em marcado atraso do crescimento e desenvolvimento comportamental, aumentando a susceptibilidade às doenças. Uma extensa literatura clínica sugere que o impacto da separação dos recém-natos e das crianças de suas mães pode ser igualmente perigoso. A deficiência no crescimento e desenvolvimento infantil é característica dos seres humanos, quando os recém-natos prematuros e crianças (fase de amamentação ou até dois anos de idade) são privados da estimulação materna, surgem as “deficiências não orgânicas de desenvolvimento”, (9-11). No extremo, isto é manifestado como “deficiência psicossocial”, ou “conexão reativa de desordem da infância”, uma condição clínica caracterizada pelo retardo do desenvolvimento, acompanhada pela supressão da secreção e ação do hormônio do crescimento, ao passo que estão preservados quando a criança é colocada num ambiente adequado (12-14).
O foco primário desta pesquisa é elucidar as respostas neuro-comportamentais e psicológicas alavancadas pela separação mãe-filho, e definir os componentes críticos da interação do comportamento, que são importantes para essas respostas. Estes estudos envolvem tanto um modelo animal, ratos recém-nascidos privados do relacionamento materno, como seres humanos prematuros e infantis (crianças até 2 anos de idade). A resposta à separação mãe-filho, nos dois modelos, mostra algumas similaridades notáveis, onde ambos são caracterizados pela supressão do desenvolvimento, crescimento e conduta (ausência maternal ativa). Estas respostas são discutidas em maiores detalhes a seguir.
Os filhotes separados das ratas sugerem uma resposta psicológica específica. Os níveis tissulares de ornitina descarboxilase (ODC), enzima indicadora do crescimento e diferenciação tecidual diminui rapidamente, após a separação dos filhotes da rata, seguida pelo declínio nos níveis tissulares de putrescina e seus produtos (15,16). A uniformidade da resposta de ODC, através dos órgãos é incomum. A resposta de atividade de ODC está modificada aos muitos agentes neurológicos e hormonais, mas isto geralmente ocorre na forma tissular específica, e está vinculado com a distribuição de receptores teciduais para o hormônio envolvido. Contudo, a resposta da destituição materna foi observada em todos os órgãos testados. Conforme discussão, a uniformidade desta resposta tem sido útil para identificar seus possíveis mediadores no sistema nervoso central (SNC).
A alteração no tecido indica que o crescimento e a diferenciação são acompanhados por uma resposta endócrina específica: diminuição sérica do hormônio do crescimento (GH) e perda da resposta tissular ao hormônio do crescimento exógeno (17,18). O trio: atividade alternada de ODC, atividade do hormônio do crescimento sérico, e resposta à atividade do hormônio do crescimento (Fig. 1) parecem caracterizar uma resposta do rato infantil na separação materna. Outras manipulações como, por exemplo, o stress de imobilização extraia um padrão diferente de resposta com elevação de ODC e complexidade de resposta endócrina (19).
A separação do rato (filhote) de sua mãe interrompe vários processos, incluindo a alimentação, transferência de calor e contato sensorial passivo entre mãe e filhote, e interação ativa do comportamento. O próximo passo do estudo foi determinar o ponto crítico para manter a atividade ODC e/ou a secreção do hormônio do crescimento. Em suma foi encontrado, que a alimentação, a temperatura do corpo e o estímulo sensorial passivo não alteraram as respostas. Ao contrário, como mostrado na fig.2, nós encontramos que o comportamento ativo da mãe foi o determinante, os anestesiados com uretane tiveram perdas criada pelo mesmo trio de deficiências, como remover o filhote de seu habitat (20). A demonstração da estimulação tátil vigorosa é semelhante a um pincel, que igualmente restabelecerá o GH sérico e a atividade de ODC tecidual (a estimulação do GH e do ODC não foi testada). Os valores controlados fornecidos como suporte adicional são importantes para a estimulação ativa do filhote (fig. 3). O componente tátil provou ser um estímulo sensorial crítico, como na cinestésica e na estimulação vestibular, que foram ineficazes ao restabelecimento da ODC e da secreção normal do hormônio do crescimento (22).
Estes estudos sugeriram que a estimulação tátil materna ativa ao filhote recém-nato representa um papel primário na regulamentação de sua psicologia. Em geral, isto está de acordo com a hipótese desenvolvida por Hofer (23, e este volume) onde a interação entre mãe e filhote regula o estado psicológico de ambos (mãe e filhote) através de reguladores complexos “escondidos”. Porém, a maioria dos reguladores descrita anteriormente, está envolvida, apenas pelo contato passivo mãe-filhote. Por exemplo, o contato passivo com a mãe pode ser um importante regulador pituitário-adrenal pelo hipotálamo. (24). Igualmente, a temperatura do alimento e do corpo representa, respectivamente, papel maior na função cardiovascular e na vocalização (25-29).
Embora, o estímulo sensorial primário mediando as mudanças no ODC e na secreção de GH parece diferir, significantemente, de outras respostas na separação mãe-filhote. Os estímulos passivos estudados medeiam as respostas de comportamento dos filhotes definidas em importantes intersecções dos possíveis mediadores neurais, que respondem separadamente. A diminuição dos opióides endógenos tem sido postulada para mediar um número de respostas comportamentais da separação mãe-filhote, numa ampla variedade de espécies desde as galinhas aos primatas. Nos filhotes de galinhas, cachorros, macacos e roedores, a diminuição dos opióides endógenos mostrou supressão da ansiedade na vocalização, quando os animais foram separados do seu habitat (30-33). Ao contrário, a administração do opióide antagônico (naloxone) mostrou aumento de ansiedade na vocalização, e para prevenir a separação que ocorreu com os filhotes de ratos foi induzida a analgesia.Duas interpretações para estes resultados foram sugeridas por Panksepp e colaboradores, onde os opióides mediaram o “conforto social” e que a administração dos opióides reduziu o sofrimento do isolamento social (34). Uma explicação mais conservadora e mecânica foi sugerida por: Kehoe e Blass (4) que propuseram a diminuição dos opióides endógenos durante separação prolongada mãe-filho, que sugeria uma resposta psicológica integrada para “acalmar” o animal e permitir sua sobrevivência à separação, sem alertar os predadores. Neste caso, os estudos sugeriram que o aumento do opióide no sistema nervoso central cria uma fisiologia integrada à resposta comportamental dos filhotes, com adaptação satisfatória à ausência do suporte parental. Como um componente de sobrevivência, a ausência de uma única fonte de alimento e calor poderia suprimir o crescimento e liberação dos opióides endógenos, dentro desta estrutura teórica, também representa um papel nas respostas neuroendócrinas e bioquímicas observadas.
O primeiro passo ao testar o possível envolvimento dos opióides endógenos nas respostas do ODC e GH na privação maternal, foi a avaliação de efeito dos opióides exogenamente administrados. Estes estudos forneceram um forte suporte para o envolvimento dos opióides nas respostas da separação materna dos filhotes de roedores. A administração intracisternal de beta-endorfina resulta em marcada e uniforme redução de atividade de ODC, tanto no cérebro como em todos os órgãos periféricos

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